Um homem de 39 anos foi detido por suspeitas de, pelo menos, um crime de coação sexual, agravado, ocorrido no passado dia 20 de junho, no decurso do festival de música Ícaros, que se realizou em Sesimbra, revelou a Polícia Judiciária, esta sexta-feira, 11 de julho, num comunicado enviado ao Notícias ao Minuto.
De acordo com os inspetores, a vítima é uma menina de 12 anos, filha de uma amiga do agressor.
"Aproveitando-se da relação de confiança que mantinha com a vítima, filha de uma amiga sua, o suspeito sujeitou-a a diversos contactos de natureza sexual, os quais só não terão tido consequências mais graves porque, a dada altura, uma outra criança apareceu junto à porta da habitação", explica a PJ na mesma nota.
Ainda segundo os inspetores, a investigação, conduzida pelo Departamento de Investigação Criminal de Setúbal, permitiu apurar que os factos tiveram lugar no interior de uma habitação, "que servia de residência temporária, localizada no recinto do referido festival, no qual o suspeito se encontrava a participar, num momento em que este se encontrava a sós com a criança".
As autoridades desconfiam ainda que esta não foi a primeira vez que o suspeito terá "praticado crimes de idêntica natureza".
Apesar disso, ao ser presente a primeiro interrogatório judicial, saiu em liberdade com medidas de coação não detentivas.
"Massagista dos famosos"
De acordo com a CNN Portugal, que já tinha denunciado o caso, foi a própria menor que relatou aos pais ter sido vítima de abuso sexual por parte do terapeuta, conhecido como "massagista dos famosos", enquanto recebia uma massagem no recinto do festival.
Segundo a denúncia, o massagista terá tocado nos órgãos genitais da criança. A família, que participava no evento, apresentou de imediato queixa na Guarda Nacional Republicana (GNR), que encaminhou o caso para o Ministério Público (MP) e Polícia Judiciária (PJ).
O suspeito desativou entretanto algumas das contas de redes sociais, onde tinha milhares de seguidores. No Facebook, ainda é possível ver algumas das imagens a fazer massagens e a promover eventos infantis.
O festival Ícaros é um um evento dedicado à chamada "música medicina" e práticas de bem-estar. Na altura em que o caso começou a ser investigado - e que gerou grande consternação nas redes sociais - a organização emitiu um comunicado, onde lamentava o que descrevia como "um incidente muito grave".
Posteriormente, emitiram um novo comunicado, onde, inclusive, identificam o suspeito.
"Lamentamos profundamente que esta situação tenha ocorrido durante este lindo encontro que é o Festival Icaros. Sentimos a dor, a revolta e a tristeza que muitos estão a viver. Onde há Luz, haverá sempre Sombra. Estamos também profundamente gratos pelas muitas mensagens de apoio que temos recebido nestes tempos difíceis. Que possamos continuar unidos, mesmo na dor, como uma comunidade forte e solidária. À criança e á sua família, enviamos uma onda de força, amor e cura. As nossas orações estão convosco", escreveram na publicação, garantindo que, desde que souberam do caso, têm "mantido um contacto próximo e uma total cooperação com a PJ".
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